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A brazileira de Prazins: scenas do Minho.

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--A Russia move-se, é o que é--affirmou fr. Gervasio, correlacionando a iniciativa de Lanhoso com a propaganda autocratica da Russia.

Em um d'estes dialogos, em que havia desabafos, exuberancias de jubilo, interveio o Zeferino das Lamellas, o pedreiro afilhado do major. Vinha contar o caso do Simeão de Prazins e a péga que teve com os cães do Dias de Villalva. Mostrava a calça remendada--que por pouco lhe não entravam no coiro os cães--dizia, e protestava vingar-se. O egresso pacificava-o; que deixasse lá a rapariga e mais o estudante; que se fosse preparando para desembainhar a espada de seu pai em defeza do throno e do altar. E o major: --Estamos chegados a ellas, Zeferino.

E o pedreiro, esfregando as mãos coreaceas, que ringiam como duas lixas friccionadas: --A elles, snr. padrinho! A espada vai-se amolar... Vou pedil-a ao velho! O pai de Zeferino, o Gaspar das Lamellas, tinha sido alferes do 17 de linha; e, em 1834, como o perseguissem os liberaes do concelho por pancadaria e testemunhos falsos nas devassas de 28, andou foragido alguns mezes. Sequestraram-lhe os bens; e o filho que já era muito barbado e não tinha modo de vida, fez-se pedreiro. Depois, applacadas as furias dos vencedores e restabelecida a justiça, restituiram ao Zeferino as terras devastadas. O ex-alferes sahiu do seu esconderijo, e recolheu-se a casa com a espada muito cheia de verdete, dizendo que havia de laval-a no sangue dos malhados. Em 1838, dia de natal, embebedou-se despropositadamente e sahiu para a rua a dar vivas ao snr.

D. Miguel. Outros piteireiros, do mesmo credo, e affectos ás velhas instituições, responderam aos vivas com um enthusiasmo homicida. O Gaspar foi buscar a espada, cingiu a banda sobre a niza de saragoça, poz a barretina com os amarellos muito oxidados, e, á frente d'um grupo de jornaleiros e garotos, caminhou para a cabeça do concelho afim de offerecer batalha campal ás auctoridades. Além da espada do caudilho, havia na jolda tres espingardas reiunas; o restante eram foices de gancho encavadas em grossas varas. Um porqueiro colossal floreava uma lamina brunida da faca de matar os cevados. A guerrilha, já engrossada por outros bebedos encontrados nas tavernas do transito, chegou â porta do morgado de Barrimáo, e a clamorosos brados elegeram-o general. Já se ouvia tocar a rebate em diversas torres, á discrição dos garotos destacados. O morgado mandou-lhes dar vinho, e que debandassem, que recolhessem a suas casas, porque iam levar grande tareia inutilmente. O egresso veio a uma janella que abria sobre o atrio, e tentou dissuadil-os do desvario que mais parecia um excesso de vinho que de patriotismo--dizia. Não fez nada. Cada vez mais picado, o alferes, faminto de vingança, bradava que estivera quinze mezes escondido, que lhe tinham estragado a sua casa, e que ia pedir contas aos Trêpas e aos Andrades de Santo Thyrso, uns malhados, cujas cabeças havia de deixar espetadas em pinheiros.

Na villa ouvia-se o toque a rebate. Dizia-se que era incendio. Alguns vadios atravessaram a ponte muito açodados em direcção ás freguezias d'onde soavam as primeiras badaladas. O regedor de Villalva, o pai do José Dias, descia esbaforido do monte do Barreiro a dar parte á auctoridade. Assim que se espalhou a nova em Santo Thyrso, já se ouvia alarido de vozes. A garotagem dava vivas, e guinchava uns apupos prolongados que punham eccos nas margens tortuosas do rio Ave. Os liberaes de Santo Thyrso rodearam o administrador, armados, com os seus criados. Os negociantes com medo de saque tambem sahiram de clavinas. As familias nas janellas faziam clamores, n'uma grande desolação.

N'aquella villa lembrava ainda a mortandade do tempo do cerco do Porto, e havia velhos que presencearam outra semelhante no tempo dos francezes..

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